O indivíduo proficiente, no topo da escala de alfabetismo funcional, elabora textos de maior complexidade (mensagem, descrição, exposição ou argumentação) com base em elementos de um contexto dado e opina sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto. É capaz de interpretar tabelas e gráficos que envolvem mais de duas variáveis, compreende a representação de informação quantitativa (intervalo, escala, sistema de medidas) e reconhece efeitos de sentido (ênfases, distorções, tendências, projeções).
A pessoa proficiente também está apta a resolver situações-problema relativas a tarefas de contextos diversos, que envolvem diversas etapas de planejamento, controle e elaboração e que exigem retomada de resultados parciais e inferências. Espera-se que reconheça elementos textuais e quantitativos que permitam avaliar indícios para avaliar a veracidade de uma narrativa ou informação, situações que implicam riscos (vírus, golpes, links, mensagens enviadas, fake news) e elabore textos (mensagem/post, descrição, exposição ou argumentação) com base em elementos do texto ou contexto dado.
Situação no Brasil
Desde a primeira edição do Inaf, em 2001-2002, a parcela da população no nível proficiente, o mais alto do alfabetismo funcional, é de, em média, 11%. Persistente ao longo de duas décadas, essa estagnação indica que o topo da escala, assim como em outras áreas, parece reservado a uma pequena parcela da sociedade brasileira.
As movimentações ao longo desses níveis acabam limitadas por um teto qualitativo, retrato da desigualdade econômica e social marcante na história brasileira. Esses resultados indicam à sociedade em geral, e sobretudo aos gestores públicos e formuladores de políticas públicas, que é preciso ser mais ambicioso nos projetos que visam ao desenvolvimento do país.
Veja abaixo outros dados sobre o nível proficiente de alfabetismo funcional.
54%dos proficientes alcançaram a Educação Superior
53%dos indivíduos proficientes são homens
52% se autodeclararam brancos
59% têm entre 20 e 39 anos
37% declaram renda familiar superior a 5 salários mínimos
É muito pouco
Ainda é reduzido o número de pessoas no nível mais alto de alfabetismo.
Em 2024, dos mais de 140 milhões de brasileiras e brasileiros entre 15 e 64 anos, apenas 10% alcançaram o nível Proficiente de alfabetismo. Vale destacar que dentre as pessoas deste grupo, prevalecem aquelas cujos pais já tinham alta escolaridade e as que residem em contextos urbanos.
O dado evidencia o quão restrito ainda é o acesso aos patamares mais elevados da escala, pois ainda são poucos os que dispõem de maior autonomia e capacidade crítica em leitura, escrita e matemática nas diferentes esferas da vida social.